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quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Paródia sobre a Revolução Industrial



Estúpido capital

Que é revolução industrial?
A produção nao é artesanal,
tem muita maquina e coisa e tal,
precisa acúmulo de capital,
inglês foi aí que a indústria veio a surgir.

Na Inglaterra tem muito carvão
e o comércio pelo mar é bom,
a burguesia tem um dinheirão
e no poder tem participação,
o campo se cercou,
e a cidade até superlotou.

"Assim que começou essa exploração,
trabalho de montão pra ganhar um tostão."

Música original:




Primeiro grande sucesso de Celly Campello em 1959, "Estúpido Cupido" é uma versão de Fred Jorge para "Stupid Cupid", de Neil Sedaka e Howard Greenfield. A música é um dos clássicos dos primórdios do rock nacional e internacional. O próprio autor, Neil Sedaka, fez sucesso com a canção, também gravada por artistas como Patsy Cline, Connie Francis, Wanda Jackson, Teresa Brewer, The Dicers, Mandy Moore e outros, sendo que no Brasil há regravações de Wanessa Camargo, Lílian (da dupla Leno & Lílian), Cleide Alves, Títulares do Ritmo, Valter Wanderley, Golden Boys, e outros.

Celly Campello iniciou a carreira em 1958. Ao lado do irmão Tony Campello, outro ídolo dos primórdios do rock, Celly apresentou o programa Crush em Hi-fi, primeira atração televisiva dedicada exclusivamente ao rock no Brasil, exibida pela TV Record, a mesma que lançaria em 1965 o programa Jovem Guarda, comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa.

A cantora tem em seu currículo um rosário de hits, como "Banho de Lua", "Túnel do Amor", "Lacinhos Cor-de-Rosa", "Broto Legal" e "Hei Mama", entre outros. Foi eleita a Rainha do Rock (o rei era Sergio Murillo) em 1960 pela Revista do Rock. Dois anos depois, no auge do sucesso, decidiu encerrar a carreira para contrair matrimônio, e se despediu dos discos com outro sucesso, a música "Canário", em dueto com o irmão Tony. Chegou a ser convidada para apresentar o Jovem Guarda com Roberto Carlos, mas manteve-se firme com a idéia de se dedicar ao lar.

Em 1968, porém, aceitou convite da Odeon, sua antiga gravadora, apenas para gravar um LP em comemoração aos 10 anos do seu ingresso no disco. Voltou a gravar três compactos em 1971 para a Continental, mas em 1976 voltou às paradas de sucesso com o lançamento da novela e da trilha sonora de Estúpido Cupido, pela Rede Globo. Regravou a canção para um LP pela RCA e lançou alguns compactos, encerrando definitivamente a carreira em 1979. Morreu aos 60 anos, em 4 de março de 2003, vítima de câncer de mama.

Confirma a letra:

Oh! oh! Cupido!
Vê se deixa em paz
(Oh! oh! Cupido!)
Meu coração que
Já não pode amar
(Oh! oh! Cupido!)
Eu amei há
Muito tempo atrás
(Oh! oh! Cupido!)
Já cansei de
Tanto soluçar
(Oh! oh! Cupido!)

Hey, hey, é o fim
Oh, oh, cupido!
Vá longe de mim
(Oh! oh! Cupido!)

Eu dei meu coração
A um belo rapaz
(Oh! oh! Cupido!)
Que prometeu me amar
E me fazer feliz
(Oh! oh! Cupido!)
Porém, ele
Me passou prá trás
(Oh! oh! Cupido!)
Meu beijo recusou
E meu amor não quis
(Oh! oh! Cupido!)

Hey, hey, é o fim
Oh, oh, cupido!
Vá longe de mim
(Oh! oh! Cupido!)

Não fira um coração
Cansado de chorar
A flecha do amor
Só trás
Angústia e a dor
(Oh! oh! Cupido!)

Mas, seu cupido
O meu coração
(Oh! oh! Cupido!)
Não quer saber
De mais uma paixão
(Oh! oh! Cupido!)
Por favor
Vê se me deixa em paz
(Oh! oh! Cupido!)
Meu pobre coração
Já não agüenta mais
(Oh! oh! Cupido!)

Hey, hey, é o fim
Oh, oh, cupido!
Vá longe de mim...

(Oh! oh! Cupido!)
Mas, seu cupido
Meu coração
(Oh! oh! Cupido!)
Não quer saber
De mais uma paixão
(Oh! oh! Cupido!)
Por favor, vê se
Me deixa em paz
(Oh! oh! Cupido!)
Meu pobre coração
Já não agüenta mais
(Oh! oh! Cupido!)

Hey, hey, é o fim
Oh, oh, cupido!
Vá longe de mim..
(Oh! oh! Cupido!)
Hey, hey, é o fim
Oh, oh, cupido!
Vá longe de mim...

Oh! oh! Cupido!
Oh! oh! Cupido!
Oh! oh! Cupido!

sábado, 3 de setembro de 2011

Existe politíca de preservação do patrimônio histórico em Curitiba?

Sem defesa, fábrica da Matte Leão começa a ser demolida


Falta de agressividade em preservar memória fabril tira de Curitiba o prédio da empresa que projetou a cidade

Publicado em Gazeta do Povo 07/04/2011
José Carlos Fernandes

Fale conoscoRSSImprimirEnviar por emailReceba notícias pelo celularReceba boletinsAumentar letraDiminuir letraTeve início nesta semana a demolição da sede histórica da Matte Leão S.A, indústria que ocupava mais de um quarteirão na altura das avenidas Getúlio Vargas com João Negrão, no bairro Rebouças, em Curitiba. O terreno de 16,3 mil metros quadrados foi vendido pela família Leão para a Igreja Universal do Reino de Deus, no início de 2010. O valor estimado da transação foi de R$ 32 mi­­lhões. No local será construída uma nova Catedral da Fé – a exemplo da erguida pela instituição na Avenida Sete de Setembro.

Desde seu fim anunciado, a derrubada da fábrica causa impressão entre arquitetos, historiadores e ex-funcionários da “Leão Júnior”. Para os experts em gestão de patrimônio, a liberação das picaretas vai na contramão das políticas mundiais de preservação da memória fabril, impulsionadas com o crescimento das cidades, diminuição de grandes áreas e ameaças contínuas de especulação imobiliária.

O espaço símbolo de “reciclagem” no Brasil é o Sesc Pompeia, em São Paulo, endereço operário transformado pela arquiteta Lina Bo Bardi em um dos entrepostos culturais da capital. A Matte Leão não teve a mesma sorte, à revelia de ter sido criada em 1901 e do lugar que ocupa no imaginário paranaense. Foi graças ao ciclo da erva-mate que o estado conheceu a pujança econômica e cultural no século 20, do qual os Leão eram símbolos incontestes.

O superintendente estadual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Iphan, José La Pastina, lembra dos atentados em série à memória fabril em Curitiba, do qual o episódio Matte Leão, reconhece, é um dos mais lastimáveis. Ele cita o desaparecimento das fábricas de massas, como a Todeschini; e as de móveis, como a Cimo. E se confessa pouco otimista. “Eu diria que a proteção fabril estagnou.” A seu ver, uma saída seria manter uma parte das fábricas antigas funcionando, de forma subsidiada e artesanal, a exemplo da que ainda produz o uísque Jack Daniel’s, nos EUA.


Culpa de quem?

O não reconhecimento da Matte como patrimônio é demanda da fragilidade das políticas de preservação no município. Em vez de tombamento, o Ippuc aplica “alertas” na documentação de imóveis importantes ou os cadastra como “unidades de interesse”, as UIPs. Prédios dessa categoria podem ser alterados, o que não acontece nos tombamentos, desde que com acompanhamento.

É uma prática moderna. Na última década, porém, o Ippuc reduziu o poder de fogo e se tornou mais econômico na escolha de novas unidades – hoje perto de 700. Boa notícia, apenas, é o Iphan ter ganhado a custódia da paisagem ferroviária local – o que é uma garantia – e dois editais de pesquisa, um fabril e outro ferroviário, lançados pela Fundação Cultural.

Mas não foi o bastante. A venda da Matte Leão para a Coca-Cola e a transferência da empresa para Fazenda Rio Grande deixou o prédio centenário desprotegido. Ao ser vendido para a Universal, não era unidade de preservação, o que apressou seu destino.

A demolição, por ironia, frustra um projeto da própria prefeitura, pondo à mostra uma contradição do poder público. No início dos anos 2000, a Fundação Cultural (FCC) se mudou para um antigo moinho da Rua Piquiri, como modo de dar impulso ao SoHo Rebouças – projeto de revitalização da área. Incluir a Matte fazia parte dos planos.

Em meio aos impasses, a FCC se manifestou contra a demolição e avalizou o valor arquitetônico de pelo menos parte do prédio, com o qual a igreja poderia conviver sem penitência. Além da fachada da Getúlio Vargas, o historiador Marcelo Sutil, da FCC, destaca os trilhos de trem internos, as estruturas de madeira e os telhados – entre outros elementos passíveis de preservação. O parecer levou o Ippuc a carimbar um alerta na papelada ano passado, mas já era tarde.
O supervisor de Pla­­nejamento do Ippuc, Ricardo Antônio Bin­do, admite que a decisão sobre o destino da Matte Leão “mexeu com os nervos” de seu gabinete. Mas que se trata de um impasse antigo, sobre o qual teve de fazer uma escolha de Minerva. Desde a década de 1970, com a criação da CIC e transferência de muitas empresas do Rebouças para lá, a prefeitura passou a ver no bairro operário um ponto estratégico para o desenvolvimento do Centro.
Ao pagar R$ 7 milhões a mais do que o avaliado, a Universal ficou com o terreno e com o poder de demolir a fábrica. É o que está fazendo. Incluindo a única parte que o Ippuc recomendou preservar – dois sobrados adendos, na esquina da Piquiri, com influência da arquitetura art déco. A igreja poderia usar dos benefícios dados a quem preserva. Até onde se sabe, dispensou a esmola.



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