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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Maquete para Semana da Consciência Negra



Escravo tropeiro


 Escravo no tronco recebendo castigos físicos


Escravos carregam proprietário




Escravos serradores


Escravos sapateiros, um deles recebe castigo com palmatória


Escravos participam de procissão como músicos e carregando cobertura de proteção para o padre


Escravos leiteiros


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Machado de Assis branco? Será que tem explicação?


Vídeo veiculado no perfil do facebook do prof. de história Henrique Witoslawski


Caixa se explica após "branquear" Machado de Assis em comercial

São Paulo - No início desta semana, a Caixa Econômica Federal começou a veicular a campanha publicitária que comemora os 150 anos do banco. O comercial, porém, esbarrou em uma gafe que gerou polêmica entre os telespectadores e até críticas do próprio governo, de acordo com o site Folha.com

No filme, com duração de um minuto, a atriz Glória Pires narra uma história em que o célebre escritor Machado de Assis (1839-1908) teria sido correntista do banco. A questão é que o ator que interpreta o escritor é branco. Machado de Assis, no entanto, era mulato.


Em nota, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), órgão do Governo Federal, se manifestou sobre o caso dizendo que "é lamentável que tenha havido esse deslize numa campanha que vem sendo desenvolvida numa linha educativa e instrutiva que inclusive já retratou fatos históricos desconhecidos da população". De acordo com a Seppir, qualquer medida só poderá ser tomada se uma pessoa ou entidade fizer uma denúncia na ouvidoria do órgão.

Por meio de sua assessoria, a Caixa se posicionou sobre a polêmica, afirmando que "o banco sempre se notabilizou pela sua atuação pautada nos princípios da responsabilidade social e pelo respeito à diversidade. Portanto, a Caixa sempre busca retratar em suas peças publicitárias toda a diversidade racial que caracteriza o nosso país".

No comunicado, porém, o banco não informa se alguma alteração será feita no filme, exibido em TVs abertas e fechadas - em horário nobre na rede Globo -, cinemas, e ainda em veículos impressos.


Extraído da site da Revista Exame. Publicado no dia 16/09/2011



domingo, 4 de setembro de 2011

E se D. João VI não tivesse vindo?

A hipotética história que resulta de uma simples mudança de decisão: conheça as repúblicas surgidas onde um dia foi o Brasil


José Murilo de Carvalho

Publicado no site da Revista de História da Biblioteca Nacional em 01/06/2008

Desde o início da Revolução Francesa (1789) e, sobretudo, desde a execução de Luís XVI em 1793, o ambiente nas cortes européias era de inquietação. Em Portugal e na Espanha, era também de temor, devido à ligação familiar de seus soberanos com os Bourbon de França. Este enlace vinha desde Felipe V (1683-1746), neto de Luís XIV, que inaugurara o reinado dos Bourbon na Espanha. Em Portugal, a presença dos Bourbon era representada por Carlota Joaquina, mulher do príncipe regente.


Guilhotinado Luís XVI, declararam guerra à França o rei da Espanha, Carlos IV, e seu genro, o príncipe regente português D. João VI. Mas a Espanha não era mais, como nos tempos de Felipe II, uma das primeiras potências da Europa. Apenas dois anos depois, celebraria com a França Revolucionária os tratados de paz de Basiléia, que obrigaram Portugal a recuar também.

A situação piorou consideravelmente a partir de 1799, quando Napoleão Bonaparte, encorajado pelas vitórias na Itália e no Egito, foi eleito primeiro cônsul. O corso lançou então uma campanha que transformou em pânico o que antes era apenas preocupação entre as monarquias européias. Uma após outra, Áustria, Prússia e Rússia, as principais potências, foram derrotadas e forçadas a assinar tratados desvantajosos, quando não humilhantes. Somente a Grã-Bretanha se mantinha de pé, protegida pela geografia e pela força de sua Marinha de Guerra. Em 1801, o único país continental que ainda não rompera com a Coroa britânica, por pressão de Napoleão, era o pequeno Portugal.

A corte portuguesa – governada desde 1792 pelo príncipe regente D. João em decorrência da doença de sua mãe, D. Maria I – vivia um impasse, pressionada em terra por Napoleão e no mar, pela Grã-Bretanha. O príncipe regente angustiava-se. Não fora educado para governar e não gostava de governar. Tornara-se herdeiro forçado do trono após a morte do irmão mais velho, D. José, em 1788. De natureza pacífica e tímida, hesitava diante de decisões difíceis. E nada mais difícil do que aquilo que o desafiava. Sua própria corte dividia-se entre simpatizantes dos ingleses (anglófilos), como D. Rodrigo de Sousa Coutinho, primeiro conde de Linhares, e dos franceses (francófilos), como Aires José Maria de Saldanha Albuquerque Coutinho Matos e Noronha, segundo conde da Ega, e Antônio de Araújo e Azevedo, primeiro conde da Barca. D. João buscava equilibrar-se na missão quase impossível de não desagradar a nenhum dos dois lados. Mas o cerco se estreitava.

Em 1801, a França convenceu a Espanha, sua aliada, a assinar um ultimato conjunto exigindo de Portugal o rompimento com a Grã-Bretanha. Sem esperar pela negociação, forças espanholas, comandadas pelo poderoso primeiro-ministro Manuel de Godoy, invadiram o Alentejo e o dominaram em apenas 18 dias, no que ficou conhecido como a Guerra das Laranjas (1801). No mesmo ano, Portugal foi forçado a assinar um tratado humilhante em Badajoz, obrigando-se a fechar os portos e o território à Grã-Bretanha.
As seguidas vitórias de Napoleão agravavam a situação do governo português e faziam crescer a influência do partido francês. Araújo e Azevedo tornou-se ministro dos Negócios Estrangeiros em 1803, quando foi assinado o Tratado de Madri, que estabelecia a neutralidade entre França, Portugal e Espanha. No ano seguinte, o general Andoche Junot foi nomeado ministro francês na corte portuguesa. Carlota Joaquina tentou dele se aproximar no intuito de selar a paz entre os dois países. Para D. João, no entanto, a pressão revelou-se excessiva. Em 1805, ele entrou em profunda depressão, isolando-se entre os frades do convento de Mafra. A loucura da mãe, D. Maria I, fazia com que surgissem os piores receios sobre a natureza de sua doença.

O isolamento do regente deu motivo a um complô palaciano, chamado de Conspiração do Alfeite (1805-6). Os conspiradores visavam interditar o príncipe e entregar a regência a Carlota Joaquina. Descobertos, D. João impediu que fossem punidos com o rigor da lei. Mas seu estado não melhorou. Em 13 de agosto de 1806, a própria Carlota Joaquina escreveu à mãe, Maria Luísa, rainha de Espanha, dizendo que D. João estava “con la cabeza perdida quasi del todo” e pedindo uma intervenção em favor dela e de seus filhos. No ano seguinte, Napoleão deu mais uma volta no torniquete. Tendo derrotado os russos em junho na batalha de Friedland, sentiu-se livre para se voltar para o outro extremo da Europa, impaciente com as contemporizações portuguesas e insatisfeito com os acordos com a Espanha.

Em agosto, intimou Portugal a cortar totalmente as relações com a Grã-Bretanha, aderir ao bloqueio continental e seqüestrar os bens dos súditos britânicos, ao mesmo tempo em que concentrava tropas na fronteira com a Espanha, sob o comando de Junot. A corte de Lisboa continuou o jogo duplo. Em setembro, aderiu ao bloqueio continental, que fechava todos os portos europeus ao comércio com a Inglaterra. No mês seguinte, celebrou uma convenção secreta com os britânicos, contemplando a possível transferência da corte para o Brasil e a abertura dos portos coloniais. No mesmo mês, França e Espanha assinaram o Tratado de Fontainebleau, pelo qual decidiam a partilha de Portugal. Araújo e Azevedo ainda enviou o marquês de Marialva para tentar negociar, levando diamantes de presente. Mas o marquês não passou de Madri. Em outubro, Napoleão mandou Junot entrar na Espanha com 28 mil homens, a caminho de Lisboa. Jogando uma última cartada, D. João decretou a prisão dos súditos britânicos e o seqüestro de seus bens. O ministro britânico Lord Strangford fechou a legação, deixou Lisboa e recolheu-se aos navios da esquadra britânica ancorada perto da foz do Tejo.

A 17 de novembro, as tropas francesas entraram em Portugal atropeladamente, em desabalada carreira em direção a Lisboa, sem encontrar resistência. Na capital, corriam boatos sobre o possível embarque de D. Pedro, o príncipe da Beira, uma criança de 9 anos de idade, ou de toda a família real. Carlota Joaquina desesperava-se diante da possibilidade de ter que embarcar para o Brasil, e repetia as súplicas à mãe para que a socorresse e mandasse buscar suas filhas. Em resposta, Maria Luísa prometeu intervir caso D. João abandonasse a mulher e partisse sozinho para o Brasil. A hipótese também tornaria possível uma eventual incorporação de Portugal, talvez sob a regência da própria Carlota Joaquina.

No dia 25 de novembro, houve uma tensa reunião do Conselho de Estado para decidir sobre o que fazer. Ficar ou não ficar era a questão. Uma escolha de Sofia, de vez que não havia opção sem altos custos. Ficar significava correr o risco de humilhação da família real, de retaliação dos britânicos, que em setembro já tinham bombardeado Copenhagen, e de perda do Brasil, que representava 80% do comércio externo de Portugal com suas colônias e 60% de todas as exportações portuguesas. Fugir, além de humilhante, significava trair os súditos, abandonar o reino aos inimigos, enfrentar a ira da população já agitada de Lisboa, incorrer ainda mais no ódio da esposa (e, quem sabe, na reação dos sogros), além de arrostar os inúmeros perigos de uma viagem marítima de quarenta e cinco dias com toda a família, milhares de cortesãos e grande quantidade de valores.

A timidez do regente, seu medo do risco, o apego a seu país e seus súditos, o receio da reação da esposa e dos sogros e as esperanças de um acordo final com os franceses falaram mais alto. Contrariando a opinião dos conselheiros, o príncipe regente D. João tomou a mais importante decisão de sua vida. Resolveu ficar.

O episódio dramático ficou conhecido na história portuguesa como o Dia do Fico. As conseqüências da decisão são conhecidas. Os franceses levaram a família real para o exílio na França, permitindo que Carlota Joaquina voltasse para a casa dos pais na Espanha, e passaram a governar com o apoio de seus amigos na corte portuguesa: o conde da Ega, cuja mulher se tornou amante de Junot, Araújo e Azevedo, o marquês de Alorna e outros.

Pelo lado da Grã-Bretanha, Canning, ministro dos Negócios Estrangeiros, levando em consideração a longa história de amizade com Portugal, decidiu não bombardear Lisboa. Contentou-se em ordenar a Lord Strangford que confiscasse a esquadra portuguesa para que não caísse nas mãos dos franceses. Mas fez também o que mais lhe interessava: pôs em prática o dispositivo da convenção secreta de setembro que lhe abria os portos das colônias portuguesas, sobretudo do Brasil.

O infortunado D. João não resistiu ao impacto dos acontecimentos e às agruras do exílio. Sua depressão agravou-se e o levou à morte em 1812. Um ano depois, seguia-o sua não menos desventurada mãe, a rainha D. Maria I.

Na corte espanhola, Carlota Joaquina retomou suas confabulações políticas, mas por pouco tempo. Em julho de 1808, Napoleão forçou Fernando VII, filho de Carlos IV, a devolver o governo ao pai. Deste, exigiu que renunciasse em favor de seu irmão, José Bonaparte. A família real espanhola reuniu-se à portuguesa no exílio. Mas com o início da queda de Napoleão após a batalha de Leipzig, em outubro de 1813, Fernando VII foi libertado e regressou à Espanha com Carlota Joaquina. Mais hábil que o irmão, a princesa negociou com as cortes a sucessão ao trono espanhol, usando como chamariz a proposta de reunir as duas coroas, uma vez que era a legítima regente do trono português. Com o apoio de seus partidários em Lisboa, conseguiu concretizar a fusão, criando a União Monárquica Ibérica, uma retomada da União Ibérica de 1580. Mais de século e meio mais tarde, a Constituição espanhola de 1978 conferiu a Portugal o estatuto de Comunidade Autônoma da União Monárquica Ibérica.

Enquanto tudo isso se passava na Europa, as colônias espanhola e portuguesa na América entraram em fase de grande turbulência. Desaparecida a fonte de legitimidade monárquica que por três séculos sustentara a unidade dos dois sistemas, as forças centrífugas se manifestaram e teve início o processo de desagregação. Cada vice-reinado, cada capitania-geral, cada audiência e até mesmo cada municipalidade julgou-se no direito de decidir a quem obedecer. Para abreviar a história, na América espanhola os quatro vice-reinados e quatro capitanias-gerais se tinham transformado, em 1830, em 16 repúblicas independentes, organizando-se todas pelo modelo norte-americano. Posteriormente, acrescentaram mais dois países, Cuba e Panamá.
Na América portuguesa, as coisas não se passaram de modo muito distinto. Das 18 capitanias-gerais existentes em 1808, as de maior peso econômico movimentaram-se no sentido de construir a seu redor novos centros de poder político. Como no lado espanhol, a luta foi longa e marcada por guerras civis, rebeliões, repressões. O processo teve início, como não podia deixar de ser, em Pernambuco. Já em 1801, os participantes da Conspiração dos Suassunas tinham buscado o auxílio de Napoleão para se libertarem de Portugal. Com a prisão da corte portuguesa, voltaram à ação. Havia, no entanto, uma divisão básica entre os rebeldes. De um lado, os ideológicos do Areópago de Itambé (primeira loja maçônica do Brasil, fundada em 1796) e do Seminário de Olinda, padres em sua maioria, mais liberais, contrários à escravidão. De outro, os Suassunas e demais senhores de engenho, que não admitiam a abolição. Depois de muitas batalhas, criou-se a República dos Estados Unidos do Equador, que incorporava as capitanias vizinhas: Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Alagoas. A escravidão foi mantida, adotando-se um dispositivo constitucional que previa futuras medidas abolicionistas.

A transição mais tranqüila, ou menos tumultuada, verificou-se nas capitanias vizinhas à sede do vice-reino. Os antigos inconfidentes mineiros, apoiados em seus parentes paulistas, retomaram a luta independentista e negociaram com os comerciantes do Rio de Janeiro um pacto federativo. O esforço foi facilitado porque as tropas portuguesas haviam sido deslocadas pela Grã-Bretanha para auxiliar na luta contra a França na Península Ibérica. As unidades federadas adotaram o nome de República dos Estados Unidos do Brasil, mantendo-se o Rio de Janeiro como capital. A nova Constituição também manteve a escravidão. A capitania do Espírito Santo também aderiu à federação. Em 1930, em decorrência de seu rápido desenvolvimento econômico, São Paulo separou-se dos Estados Unidos do Brasil, constituindo a República Bandeirante.

Mais trabalhosa e violenta foi a batalha na capitania-geral da Bahia. As “francesias” (idéias sobre a Revolução Francesa) já lá haviam chegado em 1798, quando inspiraram o que se chamou de Conspiração dos Alfaiates. Vieram sob a forma de livrinhos subversivos distribuídos pelo comandante Larcher, da fragata La Preneuse. Além disso, houvera em 1806 uma revolta escrava em Salvador, e outra mais séria se dera em 1809 no Recôncavo. Os remanescentes dessas revoltas e conspirações voltaram a agir após a deposição do regente. Mas o poder econômico estava nas mãos dos senhores de engenho do Recôncavo e dos grandes traficantes de escravos de Salvador. Após prolongada guerra civil e racial, venceram os mais fortes. A parceria comercial com potentados africanos foi fortalecida com a preciosa ajuda do baiano Francisco Félix de Souza, traficante de escravos em Ajudá. No final, criou-se o Reino Unido da Bahia e da Guiné, a que aderiu a capitania de Sergipe del Rei. Sobrevindo a partilha da África pelas potências européias no final do século XIX, dissolveu-se o Reino Unido, e a Bahia tornou-se uma república.
Na capitania-geral de Rio Grande de São Pedro do Sul, a comunhão de interesses com a Banda Oriental, sempre receosa do expansionismo de Buenos Aires, levou à solução natural da união, resultando do acordo a formação da República dos Pampas, com capital em Montevidéu. A ela aderiu a capitania de Santa Catarina. O tráfico de escravos foi abolido e se deu logo início ao processo de gradativa abolição da escravidão.

Finalmente, a situação mais complexa verificou-se na área do antigo Estado do Maranhão e Grão-Pará. Não contando com centro econômico hegemônico, a região envolveu-se em longo período de turbulência, o que provocou a intervenção inglesa. Só em 1850 é que se consolidou o novo Estado que herdou o mesmo nome do antigo, sob uma forma republicana de governo, mantendo-se a escravidão.
Ao longo de todo esse processo de formação dos novos estados, a Grã-Bretanha esteve sempre vigilante para garantir o livre acesso aos mercados. Exerceu também constante pressão no sentido de interromper o tráfico de escravos, negociando tratados com cada um dos cinco novos países, com exceção do Estado do Maranhão e Grão-Pará, onde proibiu o tráfico logo após a intervenção.
Diante dessa evolução da colônia portuguesa da América, fica-se a pensar sobre como teria sido seu destino caso o príncipe D. João tivesse optado por abandonar Portugal para fugir das tropas de Junot. O historiador pode, sem dúvida, imaginar futuros alternativos como exercício mental. Difícil é dizer se seriam melhores ou piores do que a realidade.

José Murilo de Carvalho é professor titular da UFRJ e autor de Dom Pedro II: Ser ou não ser (São Paulo: Companhia das Letras, 2007)

Saiba Mais - Livro:
MELLO, Evaldo Cabral de. A outra independência. São Paulo: Editora 34, 2004.

sábado, 3 de setembro de 2011

Banda canta a história do Brasil

História Thrash Metal


Banda brasileira de Thrash Metal inova ao compor músicas sobre história do Brasil e se destaca por conquistar fãs brasileiros e no exterior

Duas poderosas guitarras fazem os solos, acompanhadas por uma bateria animada, um baixo potente e um vocal gutural, no melhor estilo Sepultura. O Tamuya Thrash Tribe (TTT) bem que poderia ser vista como mais uma banda de Thrash Metal. Mas não é. Ela possui uma proposta que a diferencia do que existe no atual cenário do metal brasileiro: todas as suas letras se baseiam na história do Brasil.

Formada há aproximadamente um ano, no Rio de Janeiro, a banda é composta por Luciano Vassan (Guitarra e Voz), Leonardo Emanoel (Guitarra), Alex Tiyug (Baixo) e Guilherme PollIg (Bateria). Em entrevista exclusiva ao Café História, o vocalista do TTT, Luciano Vassan, um publicitário de 32 anos, explicou como surgiu a ideia de formar uma banda cujas letras se inspiram em fatos e personagens da história brasileira:

- Nós tínhamos uma banda "cover". E em agosto do ano passado, fomos convidados para fazer uma festa no Rio. Era uma festa com bandas de músicas com temática Viking, algo que é bastante comum na Europa. Preparamos um repertório e todos curtiram bastante. Então, alguém sugeriu: façam uma banda Viking! Nós achamos estranho. Somos brasileiros, não tem muito a ver. Mas a ideia era boa. Então, o que fizemos foi trocar os Vikings pelos índios e outros temas da história do Brasil. Foi assim que surgiu o Tamuya Thrash Tribe. O nome "Tamuya" vem da Confederação dos Tamoios. É a palavra em Tupi para Tamoio.

O elemento brasileiro não chega a ser uma novidade no universo do metal. A banda brasileira Sepultura, por exemplo, de enorme sucesso internacional, sempre flertou com temáticas indígenas. Um de seus mais importantes álbuns, "Roots" (1996), contou com a participação do músico Carlinhos Brown na canção "Ratamahatta" e diversas faixas tiveram a presença marcante de instrumentos tipicamente brasileiros, como o berimbau, o que deu ao disco uma sonoridade bastante tribal. "Roots" teve ainda duas músicas gravadas com os índios xavantes Jasaco e Itsari, no Mato Grosso. No entanto, esse experimentalismo do Sepultura marcava sobretudo um momento da banda. Nunca chegou a ser a sua essência, o seu principal projeto. Por isso, o Tamuya Thrash Tribe é tão original. Todas as suas letras abordam elementos da história do Brasil Colônia do Brasil Império. O próprio nome, como explicado por Vassan, é uma referência explícita a sua "brasilidade". E como as letras são compostas em língua inglesa, o TTT ainda divulga, de quebra, a história do Brasil para outros países.

Embora recém-formado, o Tamuya Thrash Trib já está alçando voos mais altos. Há três semanas, lançaram o primeiro cd, intitulado “United”, que traz seis faixas. O trabalho foi gravado em três meses, entre maio e julho de 2011 no "Lokomotiv Studio", na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. A produção é totalmente independente, da gravação ao design gráfico da capa. As seis músicas foram compostas por Vassan. Para escolher os temas da canção o vocalista recorreu a livros didáticos e, principalmente, a internet.


- As bandas Vikings se orgulham de sua história. Mas nós também devemos nos orgulhar da nossa. O Brasil tem 500 anos de história. Temos muita coisa para falar, assunto inesgotável para letras de músicas. Não precisamos de forma alguma nos sentir diminuídos diante da história européia.

Mesmo sendo uma banda que escreve e canta temas relacionados a história do Brasil, Vassan faz ponderações importantes:

- Não queríamos nada que lembrasse a leitura de um livro. Não se trata de um relato histórico. Há alguma liberdade poética. A banda não tem pretensão de querer ensinar história. Não é isso. Mas bem que pode ser uma ótima iniciação. O estudante gosta da música, se interessa pelo tema que é cantado e vai procurar mais à respeito, pode ficar mais atento às aulas. Se servir para despertar a curiosidade já está ótimo.

O Tamuya Thrash Tribe fez seu primeiro show no último mês de agosto no bar de rock "Calabouço", na Tijuca. Na ocasião, os ingressos foram esgotados. E no que depender do rápido crescimento dos fãs, é bem provável que o TTT não saiba mesmo o que é um show vazio. Até o momento, a banda já possui mais de 1200 amigos em sua página no Facebook e mais de 1700 seguidores no Twitter, entre brasileiros e estrangeiros . Isso sem falar dos perfis da banda em outras redes sociais, como o Myspace e Youtube, que contabilizam centenas e até milhares de visualizações. “Há pessoas do Canadá e Turquia que falam comigo todo dia, tentando arrumar shows para nós nesses países” – revela Vassan.

É muito fácil conhecer o trabalho do Tamuya. Basta acessar o Myspace da banda. Todas as musicas estão disponíveis na íntegra via streaming. Mas atenção: se você não está habituado com a voz gutural do Thrash Metal, não deixe de acompanhar as letras. Por isso, abaixo, você encontra não apenas os links para as músicas, como também os links para as comunidades da banda em outras redes sociais e todas as letras do álbum “United”.

O Tamuya está agendando shows no Rio de Janeiro e São Paulo. Então, para quem gosta do estilo, basta ficar atento às comunidades de Luciano Vassan e companhia. E se você quiser concorrer a um cd da Tamuya Thrash Tribe é muito simples. O Café História vai sortear cinco álbuns “UNITED”, cortesia do Tamuya. Clique aqui para saber como participar do sorteio.

Retirado do site "Café História"

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O Samba do Primeiro Reinado



Tem revolução no porto e por aqui
O Brasil chora o retorno de D. João.
Inglaterra e brasileiros aí se aproximam
Então determinam a separação
Teve luta no Pará e na Cisplatina
Lá pela Bahia e no Maranhão.

Mercenários, então, vêm lutar.
Nosso povo, bucha de canhão
Convenceu Portugal
Com o título e indenização.

Juntos outrora, mudam e agora
São inimigos, é constituição,
Mas D. Pedro não se curvou
Nossas leis, ele outorgou
Da Igreja ao Moderador, ele quer
Tudo comandar.
E a elite do meu País
Se não quer, não vai descansar
Até ele abdicar.

Mercenários, então, vêm lutar.
Nosso povo, bucha de canhão
Convenceu Portugal
Com o título e indenização.

Cisplatina que se perdeu
Vi Banco do Brasil, até ele abdicar.
Equador, confederação
E garrafas eu vi voar, até ele abdicar.

Cisplatina que se perdeu
Vi Banco do Brasil, até ele abdicar.
Equador, confederação
E garrafas eu vi voar, até ele abdicar.

sábado, 20 de agosto de 2011

A vida de Anita Garibaldi

A reconstrução de Anita


Ela cometeu adultério, trocou de marido e se casou com a revolução. Lutou em batalhas no Brasil e foi perseguida na Itália. Apesar disso tudo, a "heroína de dois mundos" é quase ignorada em sua terra natal.

Por Paulo Markun

Ana Maria de Jesus Ribeiro mudou de nome e carimbou seu passaporte para a História aos 18 anos, quando abandonou o primeiro marido, um sapateiro, para embarcar no navio comandado pelo revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi (1807-1882). Virou Anita. Dez anos depois, em 4 de agosto de 1849 — há exatos 150 anos —, com a cabeça a prêmio e perseguida pelo Exército austríaco, morreu nos braços de Garibaldi, numa fazenda em Mandriole, 400 quilômetros ao nordeste de Roma, na Itália. Lá, é venerada como heroína da unificação. Mas, no Brasil, onde nasceu e combateu ao lado dos rebeldes republicanos na Revolução Farroupilha (1835-1845), é quase desconhecida.

Tanto que só passou a existir, oficialmente, há três meses. Só no último dia 11 de maio, o cartório de Laguna, em Santa Catarina, por iniciativa da Câmara Municipal, expediu o chamado mandado de registro de nascimento tardio. O documento afirma que Ana Maria de Jesus Ribeiro nasceu em Laguna, em 30 de agosto de 1821. Ninguém sabe se a data e o local estão corretos. Naquela época não existia certidão de nascimento e o chamado "assento de batismo" jamais foi encontrado.

Heroína sem rosto

A história de Anita daria um filme de ação. Várias vezes ela lutou com armas de fogo. Capturada em combate, fugiu embrenhando-se pela mata por mais de uma semana. Salvou o filho recém-nascido, partindo a galope, seminua, no meio da noite. Em Montevidéu, no Uruguai, teve mais três filhos, enquanto o marido lutava ao lado dos republicanos uruguaios contra a invasão argentina comandada pelo caudilho Juan Manuel Rosas (1793-1877). Foi para a Itália, acompanhou muitas vitórias e derrotas de Garibaldi em batalhas e, mesmo sem lutar, cuidou de feridos e organizou hospitais. Conheceu reis e revolucionários. Foi perseguida até morrer. Virou um mito.

De tudo o que se escreveu sobre Anita, boa parte é pura ficção. A trajetória da moça humilde de Laguna foi deturpada tanto pelos entusiastas, que a vêem como uma supermulher, quanto pelos críticos, que a consideram uma analfabeta atraída por um sedutor latino — uma "china", como os gaúchos chamavam as mulheres que iam atrás dos homens na guerra, levando os filhos junto. A diferença é que ela era a mulher do chefe.

Nem seu rosto é descrito com precisão. Dos quadros e desenhos que a representam, apenas um é tido como fiel a seus traços (veja ao lado). Até os relatos daqueles que a viram são contraditórios. Para uns, tinha "pele escura, traços interessantes e delicada constituição física". Para outros, "olhos ardentes e másculo peito". Houve quem confundisse suas sardas com marcas de varíola.

Apesar da mitologia heróica, da depreciação crítica e das lacunas documentais, a mulher que surge da reconstrução histórica de Anita não tem nada de duvidoso naquilo que é mais importante: caráter. A catarinense foi uma heroína em tudo, na paixão, na família e na guerra.

Ela trocou o sapateiro pelo aventureiro

A certidão que comprova o casamento de Anita, em 1835, com o sapateiro Manuel Duarte de Aguiar, quando ela tinha 14 anos, está bem arquivada na Arquidiocese de Tubarão, em Santa Catarina, vizinha de Laguna. Porém, pouco sabemos sobre seus anos de casada. Depoimentos esparsos indicam que o marido era um tipo calado e passava noites pescando. Bem diferente do italiano sedutor, de 32 anos, que chegou a Laguna no comando do barco farroupilha Seival, em 20 de julho de 1839.

Giuseppe Garibaldi, marinheiro, republicano e socialista, fugira de Gênova em 1834, condenado à morte por participar de um motim no reino de Piemonte, noroeste da Itália. Viera para a América do Sul seguindo milhares de imigrantes italianos. No Rio de Janeiro, encontrou exilados italianos, aliados dos republicanos uruguaios liderados por José Rivera (1790-1854), que apoiavam a revolta republicana dos farrapos gaúchos.

Por intermédio desses, obteve uma carta de corsário da República de Piratini, recém-proclamada pelos rebeldes em 1836, no Rio Grande do Sul. Assim, ganhou o "direito" de atacar navios do Império do Brasil. Em 1837, Garibaldi zarpou do Rio de Janeiro para Montevidéu, num barco de pesca, com nove italianos, atacando navios brasileiros ao longo da costa. Do Uruguai rumou para Laguna, para continuar a luta.

Seu encontro com Anita, que era sobrinha de um farroupilha, foi fulminante. Em sua autobiografia, Memorie di Garibaldi, o italiano não economizou pontos de exclamação: "Um homem que tinha conhecido convidou-me a tomar café em sua casa. Entramos e a primeira pessoa que me apareceu era Anita. A mãe dos meus filhos! A companheira da minha vida, nos bons e nos maus momentos! A mulher cuja coragem tantas vezes ambiciono!"

Lua-de-mel no mar

Anita largou o sapateiro e seguiu a paixão numa perigosa viagem de lua-de-mel pela costa brasileira. Atacaram embarcações e foram perseguidos pela Marinha imperial. Já no primeiro combate, em 1839, no litoral catarinense de Imbituba, mostrou fibra, de carabina em punho. Mandada ao porão do barco para se proteger, voltou com três marujos que se escondiam do tiroteio.

Diversas vezes mostrou sangue-frio. Na batalha em que as tropas imperiais recuperaram Laguna, em novembro de 1839, teve comportamento heróico e corajoso (veja o mapa ao lado). Só abandonou a luta no último momento, depois de resgatar o amante.

Derrotados os farrapos em Santa Catarina, o casal fugiu para o Uruguai. Ali, Garibaldi foi convidado pelo governo para lutar contra as tropas argentinas do caudilho Juan Manuel Rosas, que invadira o país em 1839 para controlar o comércio do Rio da Prata. O italiano ganhou o comando de um navio e organizou a Legião Italiana, um batalhão de imigrantes famosos pelas camisas vermelhas. Chefiou a defesa de Montevidéu. Suas vitórias militares levaram sua fama para a Europa. Enquanto isso, a brasileira se dedicava ao lar e mais três filhos. E aprendia a fazer política.

Garibaldi nasceu em 1807, em Nizza, a atual Nice francesa. Era marinheiro, gostava mais de aventuras do que de livros. Odiava padres, tinha voz de tenor, barba e cabelos ruivos e um belo nariz grego. Em Gênova, foi amigo do republicano Giuseppe Mazzini (1805-1872), o ideólogo da unificação italiana.

Exilado na América do Sul de 1834 a 1848, aprendeu técnicas de guerrilha e batalha. Voltou para lutar pela independência Italiana. Em 1849, elegeu-se deputado à Assembléia Constituinte de Roma e liderou a proclamação da República na cidade. Chefiou sua defesa contra um exército francês mas foi derrotado. Exilou-se de novo e retornou à Itália em 1854 como general piemontês. Conquistou a Sicília e Nápoles em cinco meses e entregou-as ao rei Vitor Emanuel II. Lutou contra os austríacos nos Bálcãs, em 1866, e na França contra a invasão da Prússia, em 1870. Nesse ano, viu a Itália unificar-se, o ideal de toda a sua luta. Morreu em 1882, como herói nacional, na Ilha de Caprera, ao norte da Sardenha.

Catorze meses de amor e guerra

Uma nota curta na quarta página do jornal genovês La Lega Italiana de 3 de março de 1848 informava: "Ontem chegou a este porto a esposa do general Garibaldi com dois filhos. Diversos cidadãos presentearam-na com uma bandeira tricolor italiana em sinal de homenagem". O periódico errou. Na verdade, a brasileira levava três filhos, Menotti, Teresita e Ricciotti. Depois de alguns dias na casa de amigos, Anita partiu para Nice, para morar com a sogra.

Em junho, chegou Giuseppe. Uma multidão esperava por ele e pelos sessenta camisas vermelhas vindos do Uruguai. Foram dias de alegria, até ele partir com a tropa para Gênova, para oferecê-la ao rei Carlos Alberto, do Piemonte — o mesmo que tentara derrubar em 1834 e que o condenara à morte.

Garibaldi engoliu as divergências com o rei porque os patriotas queriam a unificação da Itália, que o Piemonte liderava. Na época, a península era um aglomerado de reinos (veja o mapa ao lado). Os principais eram os Estados Pontifícios (do papa); o Piemonte-Sardenha (dinastia de Savóia, italiana); Veneza, Lombardia e Tirol (dinastia Habsburgo, austríaca); Parma e o Reino das Duas Sicílias (dinastia Bourbon, espanhola). Uma confusão (veja o mapa na página ao lado).

Soldado e grávida

Mas, se Giuseppe imaginava que conseguiria manter Anita em casa enquanto lutava, estava enganado. Em novembro, a brasileira foi com ele até Florença. Só voltou para Nice, sob protesto, quando a Legião Italiana — agora um exército crescente de camisas vermelhas — se preparava para cruzar os Montes Apeninos para enfrentar os austríacos. Em fevereiro de 1849, repetiu a teimosia, seguindo o marido até Rieti, perto de Roma. Só voltou para casa porque adoeceu.

Ela não desistia. Em junho de 1849, Garibaldi comandava a defesa da República de Roma contra os franceses. Um dia, quando comia pão com queijo com os oficiais no quartel-general de Villa Spada, alguém bateu à porta. O comandante abriu, abraçou quem entrava e disse: "Senhores, temos mais um soldado!" Era Anita, grávida, que havia atravessado a região controlada pelos austríacos para juntar-se a ele.

Mas os franceses saíram vitoriosos e Roma se rendeu. Garibaldi não aceitou a derrota e partiu em direção a Veneza. Anita foi junto, vestida como homem. Foi sua última viagem. As cavalgadas noturnas, a má alimentação e as noites ao relento minaram sua saúde. Ao chegar à República de São Marino, ardia de febre. Ainda assim, continuou.

Em 1º de agosto, ao chegarem a Cesenatico, no litoral do Mar Adriático, tomaram barcos para alcançar mais rapido Veneza, mas foram perseguidos por uma esquadra austríaca. Desembarcaram numa praia deserta — ela, carregada. Dois dias depois chegaram a uma fazenda em Mandriole, perto de Ravena, onde um médico os esperava. Tarde demais. Na noite do dia 4 de agosto de 1849, ao ser finalmente colocada numa cama, Anita morreu, talvez de malária. Garibaldi, arrasado, não assistiu ao enterro. Saiu às pressas, para escapar dos austríacos. O corpo da brasileira foi enterrado no cemitério da Igreja de San Alberto, em Madriole. Em 1932, seus restos mortais ganharam um mausoléu em Roma. Lá continuam. Até hoje.

Para saber mais

De Sonhos e Utopias. Yvonne Capuano, Editora Melhoramentos, São Paulo, 1999.
Anita Garibaldi: Perfil de uma Heroína Brasileira. Wolfganfg Ludwig Rau, Editora Edeme, Florianópolis, 1975.

Se Anita era alfabetizada ou não é mais uma lacuna no enredo da catarinense idolatrada pelos italianos.

A caligrafia diferente em cada uma das cartas consideradas autênticas indica que as mensagens foram ditadas. Nesta mensagem, de 7 de março de 1848, enviada de Nice para Montevidéu, ela manda um recado animador ao marido:

"As coisas caminham muito bem na Itália. Em Nápoles, na Toscana e no Piemonte foi promulgada a Constituição e Roma a terá dentro em pouco. (... ) Por todo canto não se fala em outra coisa a não ser unir a Itália mediante uma Liga política e alfandegária e depois liberar os companheiros lombardos do domínio estrangeiro (...). Tenho recebido mil finezas. Sua devotada serva, Ana Garibaldi."1. Primeiro encontro

Em agosto de 1839, Garibaldi conheceu Anita. Em suas memórias, conta que a viu na casa de um conhecido, em Laguna. Na hora, teria dito apenas uma frase: "Tu devi esser mia", ou seja, "Você tem que ser minha". O suposto encontro, à beira de uma fonte de água mineral, virou uma das versões românticas consagradas da mitologia do casal.

2. Combate

Em novembro de 1839, quando a esquadra imperial atacou os farrapos em Laguna, Anita comandou as baterias do navio Rio Pardo. Ela mesma fez a pontaria do canhão. A brava cruzou a zona de combate doze vezes, num bote, carregando munição e feridos.

3. Prisão

Em dezembro de 1839, os farrapos sofreram uma derrota decisiva em Curitibanos, em Santa Catarina. Garibaldi conseguiu fugir com um pequeno grupo. Anita ficou para trás e acabou presa. Mas conseguiu escapar a cavalo e se escondeu durante oito dias no mato. Depois, reencontrou Garibaldi em Lages.

4. Tropeiros

Em setembro de 1840, Anita e o filho Menotti, de 12 dias, foram atacados em São Luís das Mostardas. De madrugada, ela fugiu com o bebê, a cavalo, de camisola, quase nua. Garibaldi, então, desistiu da guerra e decidiu ir para o Uruguai. Atravessaram o Rio Grande do Sul em cinqüenta dias, levando 900 reses. Chegaram apenas 300.

5. Montevidéu

De 1841 a 1848, em Montevidéu, Anita teve mais três filhos — Ricciotti, Teresita e Rosita, que morreu com 1 ano de idade — e casou-se com o amante. Garibaldi virou comandante da Marinha uruguaia e fundou a Legião Italiana, com imigrantes italianos republicanos. Na casa da Calle 25 de Mayo, Anita recebia revolucionários e aprendia a fazer política. 1. Festa em Nice

Em março de 1848, Anita e seus filhos chegaram a Nizza (Nice) e foram recebidos por 3 000 italianos — uma prova de que o proscrito Garibaldi se tornara um herói. Em terras italianas, ela não se conformou com o papel de mãe e esposa. Por três vezes, deixou Nice para ir atrás do marido, que percorria a Itália, lutando pela independência e pela unificação.

2. Madrinha da tropa

Em fevereiro de 1849, na cidade de Rieti, ao norte de Roma, Anita passou um mês feliz ao lado de Giuseppe. Lá ela organizou o hospital militar, mas ficou doente e teve de voltar a Nice quando Garibaldi partiu com os 1 264 homens armados para atacar os austríacos.

3. Fuga de Roma

Em julho de 1849, quando os romanos deram por perdida a guerra contra os franceses, Garibaldi fugiu da cidade com 4 000 homens e a mulher. Anita não aceitou a proposta de ficar em Roma ou ir para o exílio nos Estados Unidos. Foi junto, vestida como soldado, de cabelos curtos e grávida de cinco meses.

4.. Final trágico

Em agosto, depois de uma fuga de 550 quilômetros, Garibaldi e Anita, gravemente doente, chegaram a uma fazenda em Mandriole, perto de Ravena, no nordeste de Roma, onde um médico os esperava. Tarde demais. A brasileira morreu nos braços do marido. Sempre acossado pelos austríacos, Garibaldi partiu sem ver a esposa ser enterrada numa cova rasa.

Superinteressante Junho de 2006

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