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terça-feira, 6 de março de 2012

ATENÇÃO: TRABALHO SOBRE TINTIM 9º ANO

Click no item abaixo que você está procurando e será levado à postagem que você está pesquisando.


1ª PARTE DO TRABALHO - sobre o personagem Tintim


2ª PARTE DO TRABALHO:


TINTIM NO PAÍS DOS SOVIETES


TINTIM NO CONGO


TINTIM NA AMÉRICA


OS CHARUTOS DO FARAÓ


PS.: CASO ALGUÉM SE INTERESSE POR LER OS GIBIS INDICO O SITE BUSCAPÉ PARA SOLICITÁ-LOS PELA INTERNET. CLICK AQUI 

ALÉM DISSO, EXISTEM DESENHOS ANIMADOS DE TINTIM NA AMÉRICA E OS CHARUTOS DO FARAÓ NO YOUTUBE: 
TINTIM NA AMÉRICA - PARTE 1
                                         PARTE 2
CHARUTOS DO FARAÓ - PARTE 1
                                           PARTE 2

Boa pesquisa galerinha

Os Charutos do Faraó

No início dos anos 1930, o repórter-mirim criado por Hergé já tinha alcançado a fama em toda a Bélgica, seu país de origem. Depois de desbravar a Rússia Soviética, o Congo Belga e a América do Norte, os editores do Le Petit Vingtième decidiram enviar seu jovem correspondente ao Extremo Oriente. Assim, de dezembro de 1932 a fevereiro de 1934, os leitores do semanário juvenil tiveram a oportunidade de ler Les Aventures de Tintin, reporter, en Orient, hoje conhecido mundialmente como Os Charutos do Faraó.

Sinopse

Tintim e Milu estão a bordo de um cruzeiro com destino ao Extremo Oriente, quando conhecem Philémon Siclone, um excêntrico egiptólogo que está em busca da tumba do Faraó Kih-Oskh. Ainda no navio, Tintim tem seu primeiro conflito com o magnata Roberto Rastapopoulos, e o reconhece como um famoso cineasta. Misteriosamente, o repórter é acusado de tráfico de armas e entorpecentes e, por isso, procurado pela polícia, que se apresenta na figura de Dupond e Dupont - em sua primeira aparição oficial.
Depois de escapar da polícia, Tintim reencontra o arqueólogo e concorda em acomapanhá-lo durante sua expedição ao Cairo, Egito. Ao encontrar a tumba, o garoto descobre também misteriosos charutos, que carregam o intrigante símbolo  do Faraó. Capturados por um grupo de bandidos, que inclui o desprezível Allan Thompson, Tintim e Milu são abandonados no mar, junto com o arqueólogo.
De volta à terra firme, Tintim reencontra Rastapopoulos gravando um filme em meio ao deserto da costa árabe, mas agora o milionário mostra-se menos arrogante. O jovem reporter ainda enfrenta outros perigos para escapar dos Dupondt, até ir parar no meio da floresta, onde faz amizade com um elefante e reencontra Philémon Siclone. O egiptólogo, agora enlouquecido, tenta matar o rapaz, que encontra refúgio no palácio do Marajá de Rawajpoutalah.

Os segredos começam a se revelar quando Tintim descobre uma organização criminosa envolvida com os charutos do Faraó. O rapaz enfrenta um por um, lutando até mesmo contra um perigoso faquir. O repórter descobre que os charutos na realidade serviam de camuflagem para o tráfico de ópio. Mas a identidade do líder da gangue, com quem o repórter luta num clímax, continua desconhecida. Dessa forma, Tintim percebe que suas aventuras no Extremo Oriente estão longe de terminar...


Histórico
Quando Hergé terminou Tintim na América, em outubro de 1932, seu principal personagem já era dono de uma popularidade invejável. Assim como fora planejado, o jovem repórter havia alcançado o status de modelo para os jovens cristãos da Bélgica. Tintim era inteligente, corajoso e altruísta; uma perfeita ferramenta para difundir bons ensinamentos para os leitores. Assim como as três aventuras anteriores, a saga de Tintim no Extremo Oriente foi publicada no Le Petit Vingtième e, portanto, ainda sob influência de Norbert Wallez, diretor do jornal. Contudo, foi a partir desta obra que Hergé começou a se distanciar da rígida política editorial do abade, o que só lhe trouxe resultados positivos.
A mensagem anti-drogas transita livremente pelas peripécias de Tintim em seu novo álbum. É claro que para isso foi necessária a aprovação de Wallez, mas desta vez Hergé se preocupou menos com os ensinamentos que deveria transmitir para se concentrar na criação de uma boa história, com ganchos envolventes e personagens marcantes. Esse distanciamento lhe permitiu mais liberdade criativa, pois ele já não estava tão subordinado aos requisitos de seu editor. Então, a partir deste álbum, Hergé passa a ser mais cuidadoso na concepção de personagens e principalmente no desenvolvimento da narrativa.


Uma das evidentes influências de Hergé na criação de "Os Charutos do Faraó" foi a descoberta da tumba de Tutankhamon, em novembro de 1922. Uma série de mortes supostamente ligadas à "Maldição do Faraó" inspirou Hergé na trama do desaparecimento dos egiptólogos que visitaram o túmulo do faraó Kih-Oskh. Conheça mais detalhes nas próximas postagens.
Publicações
Com o título 'Les Aventures de Tintin, reporter, en Oriente', a história em quadrinhos conhecida hoje como "Os Charutos do Faraó" começou a ser publicada em 8 de dezembro de 1932, no Le Petit Vingitième. A publicação, em páginas semanais, durou até 1º de fevereiro de 1934. No outono europeu mesmo ano, a HQ foi transformada em álbum, ainda em preto-e-branco, mas com novos personagens desenhados por Hergé.



Diferentemente dos primeiros álbuns, que foram publicados pelas Editions du Petit Vingtième, a primeira edição de "Os Charutos do Faraó" foi lançada diretamente pelas Edições Casterman, com uma tiragem de 6.000 exemplares. Hergé mudou de editora após escutar uma proposta de Louis Casterman, que ficou atraído com o sucesso que as aventuras de Tintim estavam fazendo na Europa.

Estava tudo pronto para a publicação de mais um álbum de sucesso, mas Hergé ainda não estava plenamente satisfeito. O criador de Tintim demonstrava o desejo de alterar o título para algo mais intrigante, daí a mudança para "Les Aventures de Tintin, reporter, en Orient - Les Cigares du Pharaon". Em 1938, houve uma reedição pela Casterman, mas o conteúdo não foi alterado, apenas o título ("Les Aventures de Tintin, reporter - Les Cigares du Pharaon"). Desta vez foram publicados 4.500 exemplares.
Em 1942 , uma nova versão do álbum foi publicada. Em contraste com a primeira capa, que mostrava uma pequena figura de Tintim bem parecido com seu traço original, a nova edição trazia uma capa com uma grande imagem do repórter, bem mais bonita e semelhante ao seu design atual. Hoje, esta é uma das edições mais raras e procuradas por colecionadores.

Já em 1955, a aventura ganhou cores. Foi o último dos álbuns preto-e-branco a ser colorido, e teve seu lançamento adiado várias, devido à ocupação de Hergé com o lançamento da Revista Tintin e pela criação dos álbuns de Tintim na Lua  (publicados entre 1953 e 1954). Antes de ser colorido, o álbum passou por uma revisão e, assim como os dois anteriores, foi completamente redesenhado, tornando-se o álbum que conhecemos hoje. A partir do álbum seguinte, "O Lótus Azul", Hergé passou a preservar seu traço original, que estava cada vez mais bem-definido. Há certas diferenças entre a primeira edição e a atual, e as principais delas serão conhecidas nas próximas partes deste especial.
Extráido do site: www.tintimportintim.com
  

segunda-feira, 5 de março de 2012

Tintim na América

Tintim na América foi o terceiro álbum concebido por Hergé para a série "As Aventuras de Tintim". Assim como os episódios anteriores, a história foi publicada semanalmente no jornalzinho Le Petit Vingtième, de 3 de setembro de 1931 a 20 de outubro de 1932. Pode-se dizer que esta é uma continuação "indireta" da aventura de Tintim no Congo, pois tem ligação com personagens e elementos do álbum anterior. Caracterizado por situações absurdas e inesperadas, este é o álbum que mais evidencia a sorte do personagem principal...

Sinopse




1931. Depois de enfrentar um bando de gângsters no Congo, Tintim é enviado para Chicago, EUA, para livrar a cidade dos criminosos. Como um "repórter-mirim" fará isso, ninguém sabe, mas conhecendo sua fama internacional, os bandidos começam a se preocupar. A mando de Al Capone, "o rei dos bandidos", o jovem repórter é sequestrado assim que chega ao país mas, desde já, sua sorte começa a agir.
Assim que escapa dos comparsas de Al Capone, Tintim cai numa armadilha de Bobby Smiles, líder do Sindicato dos Gângsters de Chicago. Como não aceita a proposta de se juntar ao grupo para vencer o "rei dos bandidos", o repórter acaba ganhando mais inimigos, e sofre novas tentativas de assassinato. Quando ajuda a polícia a prender um grupo de bandidos, Tintim deixa Smiles escapar. Assim começa uma perseguição que leva o personagem a outro cenário: o velho-oeste americano.
Em RedDog City, Tintim adota um estilo cowboy, pois suas roupas são estranhas demais para os habitantes locais. No território dos peles-vermelhas, o repórter é sequestrado pela tribo dos Pés-Negros, graças a um plano de Bobby Smiles. Depois de causar uma confusão e conseguir escapar dos nativos, Tintim acidentalmente descobre um poço de petróleo, o que atrai a atenção imediata de uma multidão de investidores, gerando um desenvolvimento instantâneo do local. Depois de enfrentar alguns perigos, Tintim finalmente manda Smiles para a cadeia, mas seus problemas estão longe de terminar...


Quando descobre que Milu foi sequestrado, Tintim conhece um detetive pra lá de atrapalhado, que investiga o caso. Mais tarde, é preso injustamente e enfrenta outros vilões perigosos, que fazem de tudo para acabar com sua vida. Apesar de derrotar a todos eles, Tintim não aparece vencendo o maior de todos, Al Capone. Mesmo assim, ao final da aventura, é aclamado por uma multidão nas ruas de Chicago.


Histórico
 
A aventura de Tintim no Congo já sugeria que o personagem estava pronto para invadir o território americano. O objetivo original de Hergé era escrever um relato sobre a opressão dos índios nos EUA, assunto que sempre o havia fascinado. Ele queria mostrar os cenários de filmes de faroeste, os desertos e pradarias da América do Norte, bem como os cowboys e índios peles-vermelhas. Mas a ideia não agradava tanto ao abade Norbert Wallez, que havia imaginado uma história sobre o sindicato do crime em Chicago, na intenção de ilustrar o quão corrupto os Estados Unidos realmente eram (vale lembrar que  abade era direitista). Dessa forma, Hergé decidiu apresentar em sua aventura outras características da América, como as indústrias modernas, as grandes cidades e, é claro, dos mafiosos.
Assim como acontecera na concepção de "Tintim no País dos Sovietes" e "Tintim no Congo", as fontes de Hergé eram muito limitadas, sem contar que, àquela altura, ele ainda não havia saído da Bélgica. Dessa forma, suas únicas inspirações foram os livros "Scènes de la vie Future" (Cenas da vida Futura), de Georges Duhamel, "L'Histoire des Peaux-Rouges" (A História dos Peles-Vermelhas), de Paul Coze e uma edição especial da revista "Le Crapouillot", falando sobre os Estados Unidos da América.


Hergé começa o álbum seguindo as orientações de Wallez, mas, na tentativa de pôr seus objetivos iniciais em prática, providencia um jeito de levar o repórter para o velho oeste. A cidade, que na edição original se chamava "Redskincity" (Cidade Pele Vermelha, em tradução literal), fica  perto de um acampamento indígena, onde o cartunista aproveita para desenvolver algumas de suas ideias. No entanto, a fim de evitar problemas com Wallez, editor do jornal, Hergé usa os índios para expor a corrupção dos norte-americanos. Faz isso em cenas que mostram os 'brancos' explorando as terras dos nativos, quando descobrem que são uma rica fonte de petróleo.
Outros temas relacionados à realidade americana da época também são retratados no álbum, mas de maneira um tanto superficial. Servem como exemplo o fracasso da Lei Seca (ilustrado por um delegado beberrão), a guerra de gangues (enfatizada pela rivalidade entre os grupos de Al Capone e Bobby Smiles) e a discriminação aos negros (que aparecem sempre como subordinados).


Publicação



Tintim na América foi publicado no Le Petit Vingtième de 3 de setembro de 1931 a 20 de outubro de 1932, duas páginas por semana. Em 1932, foi publicado pela primeira vez como álbum, em preto-e-branco, pelas Éditions du Petit Vingtième. Em 1941 começou a primeira atualização do álbum, inicialmente com a finalidade de publicação em um jornal holandês, Het laatste Nieuws. Mas a primeira edição colorida só saiu em 1945, quando Hergé redesenhou a história, assim como havia feito com o álbum anterior, alterando o número de páginas para 62, o padrão de seus livros. A publicação saiu pela editora francesa Casterman.


Como no caso de Tintim no Congo, a versão a cores do foi beneficiada pelos progressos que a prática e a experiência já haviam dado a Hergé. Na nova versão, publicada em 1946, foram feitas várias melhorias na linguagem visual, que tornaram a leitura mais fluente e compreensível. Desta aventura em diante, o domínio da arte que o cartunista alcançou fazia as imagens falam por si mismas, sem depender tanto do texto.
O primeiro país a traduzir o álbum para outra língua foi Portugal - que aliás foi o primeiro a publicar uma obra de Hergé fora do eixo franco-belga. Em 16 de abril de 1936, a revista infantil "O Papagaio" começou a publicação da história, com o título "As Aventuras de Tim-Tim na América do Norte". Com essa empreitada, Portugal entrou para a história como o primeiro país a publicar uma aventura de Tintim traduzida e a cores. Clique na imagem abaixo e veja a primeira página: 


Um dos países que mais resistiu à publicação da aventura foram os Estados Unidos. Encontrar um editor para  o álbum na terra em que ele era ambientado foi uma tarefa praticamente impossível. Na próxima parte, descubra as modificações que Hergé teve de fazer para conseguir enviar Tintim para a verdadeira América...
 Extraído do site: www.tintimportintim.com

domingo, 4 de março de 2012

Tintim no Congo

Depois de retornar da Rússia soviética em 8 de maio de 1930, o mais novo repórter do Le Petit Vingtième foi aclamado por uma multidão em Bruxelas, Bélgica. Entre jovens e adultos, os fãs do pequeno aventureiro mal podiam esperar por sua próxima aventura. E não demorou para Tintim voltar a explorar terras estrangeiras. Sua próxima viagem começaria em junho de 1930, e se estenderia até junho de 1931, em publicações semanais no Le Petit Vingtième. Assim surgia Tintim no Congo, a obra mais polêmica de Hergé.

Sinopse


Tintim e Milu partem para a África a fim de realizar mais uma reportagem para o jornal Le Petit Vingtième. Os problemas já começam à bordo do navio, onde Milu troca farpas com um papagaio e encontra um passageiro clandestino. Porém, tais acidentes não impedem que os dois chegem ao seu destino, o Congo Belga, uma colônia africana rica em diamantes.




Em solo africano, o repórter e seu fiel fox-terrier são recepcionados por uma multidão de congoleses, que já conhecem sua fama internacional. Antes de começar sua aventura pelas selvas africanas, Tintim contrata Coquinho, um pequeno congolês que lhe serve como guia. Depois de caçar, enfrentar animais selvagens e interagir com os nativos, o rapaz é levado para a aldeia dos bakanas. Lá, o rei designa Tintim a participar da caça ao leão, mas é Milu quem vence o felino, arrancando-lhe um pedaço da cauda.

Enquanto a popularidade de Tintim cresce entre os nativos, Muganga, o feiticeiro da tribo, sente inveja, e por isso se junta ao criminoso Tom, o mesmo que viajava clandestinamente no navio, para dar um fim em Tintim. Sempre contando com a ajuda de Coquinho e Milu, o jovem repórter escapa de qualquer armadilha, e faz o povo saber a verdade sobre os bandidos. Nomeado novo chefe dos bakanas, Tintim resolve problemas e é aclamado pelo povo.
 

Depois de ser salvo por um missionário católico, Tintim dá aulas a meninos congoleses, que não sabem quanto é dois mais dois! Ele ainda volta a enfrentar outros animais ferozes, como um leopardo e um elefante, até chegar ao confronto final com Tom. Depois de descobrir quem está querendo lhe matar, o repórter é levado de volta para a Europa, e fica sabendo seu próximo destino: Chicago, EUA. Sem saber o que aconteceu com Tintim e Milu, os nativos choram a sua perda, imaginando - coitados - se os outros europeus serão iguais a ele...

Histórico

Depois do sucesso de Tintim no País dos Sovietes, não havia um caminho que não levasse Hergé a uma nova aventura de Tintim. E ele já planejava voos mais altos: levar o repórter aos Estados Unidos da América, para explorar o então popularíssimo Velho Oeste. Porém, influenciado pelo abade Norbert Wallez, diretor do semanário Le Vingtième Sciècle, o jovem cartunista começou a elaborar uma história em que o personagem apresentaria à juventude belga os valores do colonialismo.

A publicação da aventura de Tintim no país africano começou em 1930, quando o Congo ainda era uma colônia da Bélgica. Entre 1885 e 1907, o rei
Leopoldo II explorou até o limite as riquezas naturais do território que, ironicamente, havia batizado como o Estado Livre do Congo. A extração da borracha resultou no extermínio de metade dos 20 milhões de congoleses existentes. Aquela ação desumana chamou a atenção do Parlamento da Bélgica e de outras nações civilizadas, que foram obrigados a intervir. Depois de mais de duas décadas de opressão, o paós se viu livre do domínio do terrível monarca, mas continuou sob a tutela do governo belga. Só há 50 anos o Congo Belga foi declarado livre, tornando-se o que é até hoje, a República Democrática do Congo.

Como nunca havia saído de sua terra natal, Hergé foi em busca de referências para retratar o Congo Belga. As principais bases conhecidas para o desenvolvimento do álbum foram os arquivos do Museu Colonial de Tervueren e o livro "Les silences du colonel Bramble", romance de sucesso de
André Maurois, do qual ele reproduziu toda uma cena de caça (ver as páginas 15 e 16 do álbum). Contudo, assim como acontecera no álbum anterior (e voltaria a acontecer no seguinte), as fontes utilizadas por Hergé não foram as melhores, e o resultado foi uma visão bastante estereotipada do povo africano. 

No ano de estreia da história, a colônia belga na África continuava sendo explorada. Oitenta vezes maior que o país que o colonizava, o Congo tinha um subsolo extremamente rico. Nessa época, faltava mão-de-obra. Hergé, portanto, devia fazer uma propaganda deste país. O trabalho de propaganda, no entanto, não se restringia ao colonialismo. Especificamente na metade final do álbum, o que se vê é um enaltecimento do serviço missionário. A figura do católico que cuida dos colonos e se preocupa com o bem do próximo é reforçada quando o padre salva a vida do repórter duas vezes, sem ser atrapalhado pela idade ou pela batina. Com isso, criou-se um retrato favorável às ideias colonialistas da Bélgica: o inocente povo africano precisa ser "salvo" pelos sábios europeus.

O próprio Hergé confirmou o erro que cometera. Em entrevista concedida pouco antes de sua morte, o autor disse: "Da mesma maneira quando desenhei Tintim no País dos Sovietes, ao desenhar Tintim no Congo eu estava alimentado de preconceitos do meio burguês no qual vivia... Era 1930. Conhecia deste país apenas o que as pessoas contavam na época: 'os negros são grandes crianças, felizmente estamos lá!', etc. E desenhei os africanos de acordo com estes critérios, de puro espírito paternalista, que era o da época na Bélgica".


Curiosamente, "Tintim no Congo" é o álbum mais popular e apreciado do personagem na África.

 

Publicações

A história foi publicada em páginas semanais de 5 de junho de 1930 a 11 de junho de 1931, no Le Petit Vingtième, suplemento info-juvenil do jornal Le Vingtième Siècle.Em 1931, foi publicada como pela primeira vez como álbum em preto-e-branco. Com 120 páginas, o volume foi editado primeiramente pelas Editions du Petit Vingtième. Em 1937, uma nova edição chegou às lojas. Agora com 112 páginas ainda em preto-e-branco, lançada pelas Editions Casterman, que a partir dali passaram a publicar os álbuns de Tintim com exclusividade.
Em 1946, Hergé publicou, também pela Casterman, uma nova edição do álbum, agora totalmente redesenhada. Foi a primeira edição colorida, onde o autor reduziu de mais de 100 para 62 páginas, um padrão que se manteve nos álbuns a seguir. As modificações incluíram a melhora dos cenários, o corte de algumas partes e alteração de diálogos para torná-los mais vivos. Foi o máximo que Hergé conseguiu fazer para tentar diminuir a ideologia colonialista sem alterar a história por completo.
 
Mas as polêmicas ao redor do álbum começaram cedo. Isso fez com que a publicação em francês fosse interrompida em finais dos anos 1950, e o livro passou mais de dez anos "enclausurado". Em uma carta datada de 26 de junho de 1963, Hergé implorava ao seu editor pela republicação do álbum, ao menos na Europa. Ele alegava que seus personagens eram "negros de fantasia", uma caricatura, assim como todos os personagens de sua extensa obra. Seu clamor não foi imediatamente atendido, mas ganhou a atenção dos fãs, incluindo jovens leitores africanos.

Ironicamente, a iniciativa para o retorno da publicação de "Tintim no Congo" partiu de uma revista do próprio Congo (àquela altura já independente, chamado Zaire). Em dezembro de 1969, o número 73 da revista
Zaire fez diversos elogios à obra, estimulando sua republicação no mundo todo. O artigo defendia que, "se algumas caricaturas do povo congolês em Tintim no Congo fazem rir os brancos, eles fazem rir abertamente os congoleses, porque os congoleses encontram razões para isso na forma como o homem branco os via".
 
Após ter sido publicado em várias partes do mundo, o álbum chegou à Escandinávia em 1970. Mas a cena da explosão de um rinoceronte chocou tanto a editora Egmont que eles pediram a Hergé que fizesse uma versão menos violenta do encontro com o animal. Esta versão da página 56 - veja a comparação abaixo - é a que está presente nas edições mais atuais do álbum, incluindo a que foi lançada no Brasil em 2008 pela Cia das Letras.
 
Curiosidades
:: Apesar de o Congo Belga ter sido declarado independente apenas em 1960, logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, Hergé fez uma revisão do ábum, considerando que continha uma visão demasiadamente “colonialista e paternalista”. Uma das modificações mais notáveis aconteceu na cena que hoje aparece na página 36 do álbum: enquanto na edição revisada Tintim dá aula de matemática a meninos congoleses, na primeira edição, em preto-e-branco, a aula é de geografia e, apontando para um mapa desenhado no quadro-negro, o repórter declara: "Hoje vou lhes falar sobre vossa pátria: a Bélgica".
 
:: Quando foi publicada pela primeira vez em Portugal, na revista O Papagaio, a história foi batizada de "Tim-Tim em Angola". A versão portuguesa da aventura mostrava “Tim-Tim” como um repórter lusitano, ao invés de belga, visitando não o Congo, mas a então colônia portuguesa de Angola. Nesta versão, Milu foi rebatizado como Rom-Rom, e apresentado como uma fêmea de pêlo amarelo.
 
Na versão mais recebte do álbum, os Dupondt fazem uma breve aparição no primeiro quadrinho. Mas a verdadeira estreia dos detetives não foi em "Tintim no Congo". Na versão em preto-e-branco, são outros personagens que aparecem observando o embarque de Tintim.
 
Além de Dupond e Dupont, no primeiro quadrinho da página 1 aparem também Quim e Filipe (personagens de Hergé), Edgar P. Jacobs e Jacques Van Melkebeke (colaboradores de Hergé), além do próprio Georges Remi.

:: Apesar de não aparecer escrevendo nenhum artigo, neste álbum Tintim exerce a função de repórter. Entre seus instrumentos de trabalho está um fonógrafo e uma câmera filmadora, que lhe servirão para gravar um documentário.

  
:: Menos de um mês depois do fim da publicação de "Tintim no Congo", o Le Petit Vingtième organizou um evento semelhante ao ocorrido com o fim de "Tintim no País dos Sovietes". Em 9 de julho de 1931, um garoto (Henri Dendoncker) e um fox-terrier, acompanhados de dez congoleses, representaram Tintim e Milu no retorno à Bélgica. Uma multidão esteve presente à Gare du Nord, incluindo o próprio Hergé e dois meninos trajados como Quim e Filipe.
 
  

Tintim no país dos sovietes

As Aventuras de Tintim, Repórter do Le Petit Vingtième, No País dos Sovietes é o título da aventura que deu origem a um dos personagens mais queridos da história dos quadrinhos. Escrita e desenhada pelo belga Hergé, a história foi originalmente publicada entre 10 de janeiro de 1929 e 8 de Maio de 1930, no suplemento infanto-juvenil Le Petit Vingtième. Nesta primeira aventura, Tintim, já ao lado do inseparável Milu, é apresentado como um jovem e corajoso repórter em viagem à Rússia comunista.








Sinopse


Tintim, um repórter do Le Petit Vingtième, e seu cachorro Milu, são enviados em missão para a União Soviética. Partindo de Bruxelas, seu trem explode a caminho de Moscou por um agente secreto da polícia soviética, a OGPU. Ele sobrevive, mas é acusado pelas autoridades de Berlim pelo "acidente".


Preso e levado para uma câmara de tortura, Tintim consegue escapar e roubar um carro, passando por várias aventuras até finalmente chegar a Moscou. Entre outros absurdos, Tintim observa uma eleição onde as pessoas são obrigadas a votar no partido comunista, descobre que as fábricas supostamente produtivas são apenas uma farsa dos sovietes, e que as autoridades do país maltratam crianças famintas. 


Preso por ajudar as vítimas da ditadura, ele consegue escapar mais uma vez e se depara com as riquezas que Stalin, Lenin e Trotsky roubam do povo soviético (incluindo trigo, vodka e caviar). Na tentativa de fugir da Rússia e denunciar aquelas barbaridades, Tintim enfrenta por uma última vez os agentes da OGPU. Finalmente retornando à Bélgica, o destemido repórter é recebido com grande pompa pelo público, que o aguarda na Grand Place de Bruxelas.


Em 1928, Hergé, então editor-chefe do Petit Vingtième, já pensava em criar um novo personagem de quadrinhos. A oportunidade surgiu quando Norbert Wallez, diretor do jornal, lhe encomendou uma história que envolvesse um adolescente e um cachorro. Wallez, um padre de ideologia direitista, queria um personagem que pudesse mostrar aos jovens belgas a situação da URSS e denunciar os males do comunismo. Hergé idealizou um repórter que viajaria para fazer suas matérias, e decidiu: "Para sua primeira viagem, a coisa que me pareceu mais importante na época era o país cujos ecos terríveis e muitas vezes contraditórios chegavam até nós, que era a Rússia soviética".


Nos primeiros dias de janeiro de 1929, o Vingtième Siècle publicou a ilustração de um jovem muito parecido com o já conhecido Totor, vestindo calças de golfe quadriculadas e acompanhado por um fox-terrier. No fundo, a silhueta de uma construção russa, e na legenda, a seguinte mensagem: “Acompanhem, a partir da próxima quinta-feira, as extraordinárias aventuras de Tintim, o repórter, e do seu cachorro, Milu, no País dos Sovietes”.


Poucos dias depois, em 10 de janeiro de 1929, começou a ser publicada a primeira de muitas aventuras do repórter Tintim e seu fiel cãozinho Milu. A cada semana o jornal publicava duas páginas, gerando uma história de 69 episódios.


A HQ fez tanto sucessos entre jovens e adultos da Bélgica que, para marcar sua conclusão, em 8 de Maio de 1930, o Petit Vingtième preparou um grande evento.


O jornal contratou Lucien Pepermans, um escoteiro de 15 anos, para representar a chegada do repórter a Bruxelas, e convidou os leitores por meio de um anúncio a comparecerem na Gare du Nord, às 16 horas.


A "chegada" de Tintim contou com uma grande multidão de fãs, além da presença de Hergé, que se reuniram no local anunciado para receber o herói que havia mostrado toda a “verdade” sobre o “milagre soviético”. A cena foi incluída no álbum, lançado naquele mesmo ano.



Propaganda Anticomunista


Os soviéticos tentavam passar para o mundo fora da Rússia uma imagem de potência em constante crescimento econômico - e de fato o era, segundo historiadores. Desmentir este fato se tornou um alvo particular de Hergé. Mas, como o desenhista nunca teve a oportunidade de visitar o país - e àquela altura não havia nenhuma possibilidade de fazer isso -, ele teve de se basear em informações de terceiros. Segundo Benoît Peeters, a única referência utilizada por Hergé foi o livro Moscou sans voiles (1928, Moscou sem véu, em livre tradução) de Joseph Douillet, ex-cônsul belga que viveu e trabalhou durante nove anos na Rússia soviética.


No livro, Douillet ataca duramente o comunismo e o governo soviético, e esse mesmo espírito crítico acaba ficando evidente no álbum. Sem outras fontes à disposição, Hergé chegou a reproduzir passagens inteiras do livro, como a cena das "eleições democráticas", onde os habitantes de uma aldeia são coagidos pelos soldados armados a votar no partido comunista. 


Publicação


Tintim no País dos Sovietes foi publicado pela primeira vez como álbum em 1930. Apesar do sucesso, a insatisfação de Hergé com os detalhes negativos da obra o levou a retirá-la de circulação na década de 1930. Nos anos 1950, o autor continuava sem nenhum interesse na re-publicação do álbum, mas a editora Casterman o pressionou a autorizar novas reedições, para fazer frente às edições piratas que estavam surgindo. Só depois de muitos anos após a morte do autor, o álbum voltou a ser publicado orgulhosamente como o número um da coleção de Tintim.


Em 1973, foi lançada, como parte de Les Archives d'Hergé, uma edição fac-símile, que imediatamente se tornou um best-seller (100.000 exemplares vendidos só naquele ano). Já em 1999, no 70º aniversário da obra, a Casterman, com autorização da Fundação Hergé, publicou o álbum em preto e branco. Dessa forma, mesmo contra a vontade do já falecido Hergé, No País dos Sovietes entrou de vez no cânon oficial de Tintim.


Extraído do site: www.tintimportimtim.com

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O lado obscuro de Tintim nova produção de Steven Spielberg



O lado obscuro de Tintim

O lançamento mundial do filme Aventuras de Tintim, de Steven Spielberg, ressuscita antigos fantasmas do personagem criado por Hergé no final dos anos 1920

Extraído da Revista Aventuras na História.
por Cristine Kist / Ilustração: Glauco Diógenes | 28/11/2011 16h12

Foi em meio à tensão da Europa do período entre-guerras que nasceu Tintim, o jovem jornalista belga que viaja o mundo acompanhado do cãozinho Milu. O garoto magro de topete loiro e raciocínio rápido foi o personagem mais bem-sucedido de Hergé (pseudônimo de Georges Remi). Agora, outro contador de histórias dos tempos modernos, o cineasta Steven Spielberg, decidiu recriar os quadrinhos de Hergé em As Aventuras de Tintim, com estreia prevista para janeiro no Brasil.


Nos 24 livros (um deles incompleto) lançados entre 1930 e 1986, Tintim retratou os conflitos do século 20 em passagens que, tanto hoje como na época, soavam politicamente incorretas. Em 5 décadas, Hergé colecionou processos, críticas, acusações e teve até de pedir desculpas pelas derrapadas de Tintim. As polêmicas continuaram após a morte do autor, em 1986, mas a série seguiu em alta e o filme reacende o interesse pelo personagem que ajudou a construir o retrato de um dos períodos mais turbulentos da história. As aventuras de Tintim começaram a ser publicadas quando Hergé virou editor do suplemento jovem do jornal Le Vingtième Siècle, de Bruxelas, na Bélgica. O quadrinista se baseou nos jornalistas mais famosos da época, enviados para cobrir grandes conflitos internacionais. Tintim trabalha para o próprio Le Petit Vingtième, como era chamado o suplemento, mas é o único jornalista do mundo que não parece preocupado com prazos ou com o envio de material para a redação.


Na sua primeira aparição, em 1929, ele viaja para a recém-fundada União Soviética. Na época com 22 anos, Hergé tinha ficado muito impressionado com um livro escrito pelo cônsul belga sobre as condições de trabalho no regime socialista e, por isso, optou pela URSS como destino. O país é retratado com grande exagero de estereótipos (ainda na 1ª página, Tintim diz ao chefe que enviará "cartões-postais, vodca e caviar", e Milu afirma ter ouvido falar que lá tem "pulgas" e "ratos"). Fica clara a postura anticomunista do autor. Mas, como o próprio Hergé comentou em entrevista a um programa de TV nos anos 1970, "Tintim no País dos Sovietes foi muito bem-recebido porque naquela época quase todo mundo era contra os bolcheviques".


Primeiras turbulências


Se a passagem pela URSS não trouxe grandes problemas, a 2ª viagem foi bem menos tranquila. Pelo menos para Hergé. Quando Tintim foi ao Congo, em 1931, o país africano ainda era uma colônia belga (a independência veio só em 1960) e os quadrinhos reproduziam a visão eurocentrista da época. Na 1ª versão do álbum, os congoleses falavam um francês primitivo e eram extremamente submissos. Em um dos trechos, Tintim substitui um professor em uma escola missionária e começa a aula apontando para um mapa da Europa: "Meus queridos amigos, hoje eu vou falar sobre o seu país: a Bélgica". Nas versões posteriores, o mapa foi substituído por um quadro negro, e a lição sobre a Bélgica por uma de matemática. Quando Hergé frequentava a escola (que ele odiava, por sinal), a suposta "condição inferior" dos negros ainda era ensinada como ciência pelos livros didáticos. Ele mesmo chegou a admitir em mais de uma oportunidade que o álbum retrata a visão ingênua da época.


Tiago Nogueira, editor da Companhia das Letras, que publica a série no Brasil, acha que o problema não é exclusivo desse livro: "Toda a série tem uma visão eurocentrista. É sempre a história do menino loiro desbravador que vai a países diferentes e leva conhecimento aos locais". Em 2007, um cidadão congolês pediu a um tribunal belga que Tintim no Congo fosse retirado do mercado. O processo ainda está correndo, e o resultado deve sair apenas em fevereiro do ano que vem. Mas até a ONG Peta, que defende os direitos dos animais, já se manifestou a favor de um boicote ao livro. Além de supostamente racista, Tintim também se mostra um grande fã de caçadas. Depois de atirar em veados (mata uma dúzia deles e diz que, "em todo caso, carne fresca é o que não vai faltar"), um jacaré e um elefante, mata e esfola um macaco para vestir sua pele. "Nós discutimos muito antes de publicar e, quando publicamos, optamos pela versão que já continha algumas modificações. Mas o fato é que é um clássico e representa a mentalidade de uma época", diz Nogueira.


Quando a Bélgica foi invadida pela Alemanha durante a 2ª Guerra, em 10 de maio de 1940, Hergé decidiu permanecer no país e passou a publicar as tirinhas de Tintim em um jornal que era controlado pelos nazistas. Daí para as acusações de que era simpatizante do regime alemão, foi um pulo. Mas a verdade é que ele próprio não se ajudou. Em A Estrela Misteriosa, álbum publicado justamente durante a ocupação, em 1942, duas personagens com características judaicas se perguntam se poderão dar calote em seus credores quando o fim do mundo é anunciado por um lunático (o trecho foi removido de edições posteriores). O grande vilão de A Estrela Misteriosa tinha um sobrenome judeu: Blumenstein. Hergé alegou que a escolha não tinha sido intencional e chegou a alterar o nome para Bohlwinkel. Infelizmente, só mais tarde alguém lembrou de avisar a Hergé que esse também era um sobrenome judeu. Com o fim da guerra, Hergé chegou a ser investigado pelo governo da Bélgica, mas foi inocentado. Ele ainda recebeu uma espécie de perdão público quando se uniu a um dos heróis da resistência belga, Raymond Leblanc, para a criação de uma revista sobre Tintim.


Simpatia pela China


A publicação de O Lótus Azul, 5º álbum da série, marcou uma virada na carreira de Hergé, como ele mesmo chegou a admitir em entrevistas: "Quando comecei, não tinha muita noção. Era só diversão para mim contar aquelas histórias". O Lótus Azul encerrou uma sequência de álbuns nos quais os países que serviam como cenário das narrativas eram retratados com base em estereótipos (depois dos russos comunistas e dos africanos abestalhados, Tintim ainda visitaria uma América ocupada quase somente por indígenas e mafiosos e uma Índia repleta de marajás). Hergé pareceu ter compreendido a dimensão do seu trabalho e pesquisou a fundo a cultura do país retratado - nesse caso, a China.








Depois de anunciar no final do 4º álbum, Os Cigarros do Faraó, que Tintim continuaria suas aventuras no Oriente, Hergé recebeu uma carta de um abade pedindo que pesquisasse sobre a história da China. Ele concordou, e o abade apresentou-o a Zhang Chongren, estudante chinês que passava uma temporada na Academia de Belas-Artes de Bruxelas. Os dois se entenderam tão bem que Chongren aparece como um dos persongens de O Lótus Azul: ele é Tchang, um garoto órfão que se torna amigo de Tintim depois de ser salvo por ele. Ainda durante a passagem pela China, Tintim visita uma casa de ópio e aparece chapado pela droga, uma versão mais branda da heroína. O álbum foi publicado em 1936, e as casas de ópio só foram fechadas pelo regime comunista de Mao Tsé-Tung, em 1949. Mas nem é preciso ir tão longe. Os detratores de Hergé condenam até a amizade de Tintim com o Capitão Haddock, um dos principais personagens da série. No começo, o capitão estava quase sempre bêbado e seria uma má influência para jovens leitores. O próprio Hergé acabou optando por transformá-lo com o tempo em um personagem de hábitos mais recatados. Até o que não aparece nas aventuras de Tintim causa polêmica.


Existe uma corrente que define Hergé como misógino, já que existe apenas uma personagem feminina que se destaca ao longo de todas as histórias: a espanhola Bianca Castafiore, uma soprano que adora cantar em momentos inapropriados. Hergé morreu em 1983, aos 75 anos. No processo movido na Bélgica pedindo o recolhimento de Tintim no Congo, quem luta a favor da obra é a editora francesa Casterman. No Brasil, a Companhia das Letras também defende a publicação do livro: "Não dá para ‘limpar’ uma obra que foi escrita quando a mentalidade era diferente da nossa. Se isso fosse levado adiante, teríamos de repensar toda a literatura", diz Nogueira. Se as editoras se mantêm fiéis mesmo às obras mais controversas de Hergé, o mesmo não pode ser dito do próprio autor (e nem mesmo de seus fãs). "Ele não reeditou Tintim no País dos Sovietes por muito tempo porque considerava esse um trabalho inferior", explica Simon Doyle, responsável por um dos maiores sites dedicados a Tintim no mundo todo, o Tintinologist.org. "Talvez o mesmo possa ser feito com Tintim no Congo. Posso compreender a situação das vítimas de racismo e tenho que questionar o valor do livro hoje", afirma Doyle.



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